Quem foi ao Corredor da Cultura, na Avenida Dantas Barreto, na madrugada do dia 07/03, pode presenciar a apresentação de 11 escolas - duas a menos do que o previsto pela programação oficial - dos grupos A, B e de Acesso.
A abertura da noite de desfiles foi com a Acadêmicos do Jordão, que trouxe poucos atrativos, a escola entrou com oito minutos de atraso, bem menos do que era esperado. A partir da segunda, Unidos de São Carlos, os atrasos aumentaram. Duas escolas desistiram de desfilar: Vai Vai e Sempre Viva, o que derrubou a previsão inicial dos organizadores de que a ultima agremiação só entraria na avenida as 9h. As 5h30 o desfile estava se encerrando.
Além dos temas sociais,a comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, no mês de abril, foi mais uma opção de tema para o enredo das escolas de samba do Recife. Pelo menos três agremiações saíram com o mote da chegada dos portugueses. Algumas não abordaram o assunto claramente e aproveitaram para fazer uma critica, também, ao aspecto social.
Foi ocaso da Unidos de São Carlos, que saiu com o tema “Isto é Brasil” ... Na letra do samba, a agremiação fez comparações da situação dos brasileiros de hoje com os escravos do Brasil Império: “ ... Índios enganados nesse conto secular. Nossas riquezas exportadas para lá. E o povo sobrevivendo. Pobre carente sempre a chorar ... ".
A escola Rebeldes do Samba usou o aniversário do descobrimento como tema para fazer criticas a maneira como os portugueses colonizaram o Pais. "Quando o português aqui chegou, trazendo a colonização, o sofrimento do índio começou ...”, cantou o samba-enredo da Rebeldes no Corredor da Cultura.
Mas nenhuma delas levantou mais a avenida do que a Gigante do Samba. A agremiação trouxe o tema “Na trilha do conhecimento”, em homenagem aos 500 anos do descobrimento do Brasil. A Gigante, fundada em 1942, no Alto do Pascoal, e hoje a mais antiga escola de samba do Recife e mostrou que e, também, a mais querida entre os sambistas. Adereços, carros abre-alas e bateria da Gigante se destacaram entre as outras agremiações.
A Escola do Zé, comandada pelo babalorixa Pai Edu, prestou homenagem póstuma ao ex-presidente da Federação das Escolas de Samba de Pernambuco (Fesape), Nilton Elias, morto no ano passado. A comissão de frente da Escola do Zé foi composta de homens e mulheres com roupas brancas e cada um segurando um pombo. Ao chegar em frente ao palco da comissão julgadora, Pai Edu chorou bastante e fez urna oração a Nilton Elias, a escola mostrou uma bonita ala de baianas composta por 70 mulheres. A organização da escola arrancou aplausos do publico e conseguiu impressionar os jurados.
A diretoria da Federação das Escolas de Samba do Recife(Fesape) acusou a Empresa MetropoIitana de Transportes Urbanos (EMTU) de contribuir para o atraso de algumas escolas.
Em 2000, foram realizados três concursos: o da FESAPE, o da AESPE e o da Federação Carnavalesca de Pernambuco. Pela primeira vez, as duas principais escolas de samba rivais de Pernambuco foram vitoriosas em competições paralelas no Carnaval. A vencedora pela Federação das Escolas de Samba de Pernambuco (Fesape) foi a Gigante do Samba, que conquistou o bicampeonato. Galeria do Ritmo venceu a primeira competição realizada pela Associação das Escolas de Samba (Aesp), formada por agremiações que se desfiliaram da Fesape.
Uma outra escola de samba também saiu vitoriosa: a Unidos da Mangueira, premiada pela Federação Carnavalesca. Ela desfilou sozinha e não teve concorrentes. A apuração dos resultados da competição do Carnaval, aconteceu no dia 09/03, e reuniu os representantes de escolas de samba na sede Federação Carnavalesca, no Pátio de Santa Cruz.
“O fato de não disputar com a Gigante do Samba não tira o nosso brilhantismo, tivemos escolas de qualidade no desfile da associação”, afirmou o presidente da Galeria do Ritmo, Romildo Nunes, após a confirmação da vitória. Na quadra da campeã pela disputa da associação, no Morro da Conceição, a comemoração já estava pronta antes do resultado.
Segundo a presidente da Gigante do Samba, Teresa Guimarães, garantir o bicampeonato na disputa da Federação das Escolas de Samba foi resultado do apoio da comunidade de Água Fria. Ela assumiu a presidência há 40 dias e teve dificuldades financeiras para desfilar este ano.
A expectativa do presidente da Aesp, Aguinaldo Cabral, é de acabar com a divisão entre federação e associação. Ele espera que a Gigante do Samba se una à associação e, com isso, as outras escolas também sejam atraídas a uma só entidade. Já os representantes da Fesape acham que a tendência é contrária, pois desde 1954 é ela quem congrega as agremiações de samba do Estado.
Fonte: Jornal do comercio 10/03/2000



